ANIMA DECOLORUM EST

ANIMA DECOLORUM EST
ANIMA DECOLORUM EST
Mostrando postagens com marcador Viagens. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Viagens. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de julho de 2009

São Paulo, novas impressões

Conheci a cidade em março de 2002. Metrô, USP, Parque Trianon, a parte pobre de Pinheiros, o Liberdade, a rua 25 de março, a Paulista. Fiquei com vontade de morar lá, pela quantidade imensa de coisas pra se ver e fazer, pelas pessoas, pelas possibilidades. Estava calor, era uma temperatura agradável, estava com amigos, guiado por quem conhecia a cidade. Achei-a luminosa, prenhe, como uma Medusa, a cabeça sempre em movimento.
Voltei à cidade em 2004, por um dia apenas. Instituto Tomie Ohtake, Jardins, Oscar Freire, Teatro Andante, exposição de Picasso na Oca. Achei a cidade desagradável, inclemente, desejosa de expulsar forasteiros, seca e rude. Não estava com amigos, entrava e saía de galerias de arte e lojas de decoração, tudo muito rápido e econômico. Estava um pouco frio, mas havia um cheiro esquisito, como se a cidade não quisesse que eu estivesse ali.
A terceira vez foi agora em junho. Tatuapé, Elizabeth Arden’s Row, Vila Madalena, MASP, Parada Gay, Higienópolis, Pça Benedito Calixto, Pinacoteca, Estação da Luz, Rua Frei Caneca, Parque Buenos Aires. Estava num frio de rachar, mas a cidade estava muito acolhedora. Estava com amigos e com quem conhecia a cidade. Voltou a me dar vontade de morar lá. Fui a uma exposição do Vik Muniz no MASP, vi uma exposição do acervo permanente, chorei diante de Van Goghs, Monets, Manets, Picassos, Almeida Juniors, Benedito Calixtos, Corots, Cézannes, Gauguins, Rodins, Brecherets. Almocei no La Villette, em uma praça charmosa no Higienópolis. Adorei tudo. Eu me adaptaria perfeitamente ali. Só que...
Só que ainda não sou uma pessoa que venceu na vida. Eu estava entre pessoas que venceram na vida, por isso estava com aquela sensação. A cidade só é acolhedora para quem já venceu. Só recebe bem quem já é reconhecido. Ainda estou em começo de carreira, aquela história-clichê “hei de vencer”, ainda não tenho sobrevivido do que faço, ainda não tenho o reconhecimento que sei que mereço. E mesmo assim, não creio que São Paulo seja uma cidade para se passar o resto da vida. É excelente para se passar uma temporada, em especial fora do período escolar, num feriado como o Carnaval. No resto do ano ela esmaga com força excessiva. E agora, com esse negócio de internet, posso trabalhar em um lugar completamente fora dessa idéia de metrópole. Por enquanto, estou num meio termo que se chama Belo Horizonte. Aqui só dependo de mim, me apoiando na família e nos amigos queridos que encontro pelas ruas. A cidade está crescendo em intensidade, mas ainda cheira a interior. Ela é acolhedora tanto para quem está de passagem como para quem vive aqui. Não é todo mundo que se adapta a ela, claro, assim como tem gente que não conseguiu morar em São Paulo.
A próxima vez que for a São Paulo quero já ser uma pessoa reconhecida profissionalmente. Quero experimentar essa sensação.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

VIAJAR É ÓTIMO!!!

Ai, caramba!!

Viajar, já disse Danuza Leão, é ótimo. Se, no meio disso, você puder conhecer o outro lado de uma realidade, melhor ainda.

No meu caso, o outro lado da realidade do Grande Hotel de Araxá (pra onde fui no começo do mês, a trabalho) é a pousada em Santana do Riacho, Serra do Cipó, que me cobrou cem reais por um fim de semana, e o atendimento foi muito melhor. Estranho, né?, a gente coloca valor nas coisas quando, na verdade, devíamos valorizar as pessoas. No Grande Hotel (belíssima construção do século passado, paisagens deslumbrantes, comida ótima), as pessoas olhavam umas para as outras como se estivessem naquela ilha cantada por Laurie Anderson em Language is a Virus: "look at me!!Look at me!!" Tradução: "Me admirem, estou pagando quatrocentos reais por dia aqui!!" Em Santana do Riacho (paisagens deslumbrantes, comida ótima), o dono da pousada chegava à mesa e perguntava se queríamos um suco de abacaxi com leite, fresquíssimo, e aproveitava pra contar causos da cidade.

É claro que a diferença entre os dois confortos é gritante, e é até capaz de alguém argumentar: "se o seu amigo tivesse dinheiro pra montar um Grande Hotel em Santana, pode ter certeza que você não veria diferença nenhuma". E é verdade: será que o comportamento do dono da pousada seria o mesmo, e que ele só era assim, simpático, porque não tinha dinheiro? Não sou muito chegado em adivinhas, só estou querendo debater as duas realidades.

Quando se é humilde, você consegue se aproximar mais das pessoas. A soberba só as afasta, e gera aquele tipo de inveja que resseca arruda. Sinceramente, acho bacana quando alguém tem orgulho de ser o que é e ter o que tem, se foi meritoriamente conquistado. Isso é uma coisa. Quando você acrescenta o sentimento de superioridade, dizendo "Eu tenho, você não tem, morra de inveja" eu acho tão mesquinho, tão pequeno, tão indigno...

As duas realidades merecem ser curtidas, sem nenhuma dúvida. Uma não está em detrimento da outra. Acho que a diferença está nas pessoas. Vai mudar? Não, mas pelo menos levantei a questão.