ANIMA DECOLORUM EST

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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A pedido da terapeuta 4

A tempestade passou.
Desejei muito que ela passasse, e o universo conspirou. Aguentei uma consequência inesperada. Nada grave. Nada insuportável. Estou livre da situação incômoda.
Há muito a fazer. Sou designer, escritor, ator, observador, artista, leitor, interpretante. Desejo vender minhas idéias pro mundo.
Tem uma frase ótima, lida não sei onde, há muito tempo: "As pessoas sofridas são perigosas: elas sabem que podem sobreviver." Ou seja, estou pronto pras outras.
Vozes preocupadas e ouvidos compreensivos me ajudaram. Agradeço demais por eles.
Tem uma passagem em meu livro "Os Moinhos" que reflete bem o que estou sentindo agora, e quem conhece a filosofia do Tarô vai me compreender melhor: estou me sentindo com o Arcano nº 01, O Louco, aquele que salta para o desconhecido, ou como o Arcano nº13, A Morte, aquela que significa o fim de um ciclo e o início de um novo. Não posso dizer que estou feliz. Este é um momento feliz, o de se descobrir capaz de buscar coisas novas em um ambiente desconhecido.
Parei de ler o jornal do fim de semana na segunda página. É só tragédia, não estou com vontade de escrever um texto com o tema clássico deste blog, o Pessimismo.
E viva a vida, plenamente renováel o tempo todo, só a gente é que não é capaz de enxergar.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A pedido da terapeuta 3

Estou ansioso e em fuga. Querendo ficar só dormindo, sem falar com ninguém, quentinho debaixo das cobertas, eu e minhas dores musculares. Sei que é um estado passageiro, sei a causa da ansiedade e da vontade de procrastinar tudo, mas mesmo assim não consigo evitar. Sei o que devo fazer, que atitudes tomar, mas ainda assim alguma coisa me gruda no chão. Não devia nem mesmo estar escrevendo neste blog.
Só que já sou um homem maduro, ou, pelo menos, menos imaturo. Sei que tenho mais coragem que muitos da minha idade, que se refugiam em coisas próximas, familiares, em decepções graves e muita, muita frustração por não ter tido a coragem que pessoas como eu de vez em quando demonstram. Não quero me gabar, acho apenas que a coragem é uma de minhas qualidades. Essas pessoas que citei podem ter outras qualidades, por exemplo, que eu não tenho. A vida é assim.
Tenho a tendência de ver as coisas do futuro como se elas fossem sólidas. É um exercício penoso, esse negócio de ver só o presente. Requer coragem. As coisas do futuro só serão sólidas quando não houver mais futuro. Sofrer com isso é ruim. O Budismo já conhece esse caminho há quatro mil anos. Serenidade é a palavra chave.
Preciso por mais gelo no pescoço. A ansiedade me dói sempre nos ombros.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Frases de filmes

E a amiga Cássia Cyrino me mandou duas frases de filmes que acabam se tornando ícones, filosofias de vida, o caralho a quatro.
"Seja o senhor quem for... eu sempre dependi da bondade dos estranhos..." Blanche Dubois (Vivien Leigh) para o médico que a levaria ao hospício em Um Bonde Chamado Desejo.
Em Quanto Mais Quente Melhor, Daphne (Jack Lemmon) revela a seu pretenso noivo Osgood Fielding III (Joe E. Brown): "Eu sou Homem!" . E seu noivo rebate: "Ninguém é perfeito!".
E tem mais, é só dar tratos à bola:
"Viver com medo é viver pela metade". Fran (Tara Morice) para Paul Mercuryo (não lembro o nome do personagem) em Vem Dançar Comigo, de Baz Luhrman.
"Um jantar para doze pessoas no Café Anglais custa dez mil francos." Babette (Stephanie Audran) para suas incrédulas patroas, justificando porque não recomeçaria a vida em Paris com os dez mil francos que ganhara na loteria, no dia seguinte à festa que promovera, emendando: "Eu sabia como fazê-los felizes."

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A Pedido da Terapeuta 2

O movimento de cada dia, se olharmos em retrospecto, já é história. Me lembrei de uma cena do filme Kung Fu Panda. Po, o panda, recebe um conselho do sábio Oogway, a tartaruga: O dia de ontem é história; o dia de amanhã é mistério. O dia de hoje é dom, por isso se chama Presente. É isso, é claro que é isso. Por isso o registro de cada dia, seja em blog, seja num caderninho que ninguém nunca vai ler, faz parte da gente como crescimento.
Esse registro, segundo a minha terapeuta, tem o objetivo da firmeza: resolver o problema apenas quando ele se apresenta, e não sofrer com sua ameaça. Não sentir fome hoje com medo de sentir fome amanhã. Esta decisão que tomei ontem foi o que de melhor pude fazer no momento. Suas consequências, sejam elas boas ou ruins, serão usufruídas ou resolvidas quando e se aparecerem.


A propósito, vou fazer aqui uma compilação de frases de filmes. Frases "Tudo a ver" compiladas de filmes aparentemente "Nada a ver". Cabe ao leitor julgar essa relação. Essa frase do filme Kung Fu Panda é a primeira. A minha favorita é a seguinte:
"Cuidado com o que fizer comigo, porque eu posso fazer muito melhor." Kristin Scott Thomas para Hugh Grant, no filme Lua de Fel, de Roman Polanski.
"A sua biblioteca deve ser bem vasta, senhor, para conseguir julgar um livro apenas pela capa", da perigosa Mina Harker (não sei o nome da atriz) para um incrédulo Quatermain (Sean Connery) em A Liga Extraordinária.
"Disto é que este país precisa: uma mona montada numa montanha", da irônica Bernadette (Terence Stamp) para uma borboleteante Felicia (Guy Pearce) em Priscilla, a Rainha do Deserto, de Stephan Elliot.
Quem souber de alguma, me mande que eu publico.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A pedido da terapeuta 1

Minha terapeuta me sugeriu que escrevesse sobre meu crescimento pessoal. Em nossa mais recente sessão, surgiu o assunto Decisões: Ser ou Não Ser Firme. Recentemente, tive de tomar uma decisão que é o resultado de um processo que vinha se desenvolvendo há alguns meses. Como toda decisão (livre-arbítrio) gera consequências, uma das pessoas ligadas à primeira consequência me disse que "tudo é negociável". Concordo em parte: existe a hora em que os assuntos desta vida são negociáveis, e existe a hora em que eles não são. Como essa decisão que tomei é resultado de um processo, durante esse processo solicitei de outras pessoas uma flexibilidade que me foi negada. Não acho justo, portanto, que a flexibilidade deva partir apenas de mim, ser apenas eu a ceder, ser apenas eu a me adaptar para resolver a questão. O problema é que eu acostumei mal as pessoas, sempre achando que era obrigação minha ceder. Só que estou amadurecendo, e o que eu fazia até ontem não precisa, necessariamente, se repetir hoje. A partir de agora, vou prestar declarações e dever obediência apenas a mim mesmo. É a mim que devo agradar, é nesta vida que quero usufruir do Paraíso. Não estou mais a fim de fazer o bem sem olhar a quem. O Bem tem que partir de mim.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Tem coisa errada aí

Tem dias que eu acho um privilégio estar vivendo
Tem dias que acho tudo uma bosta
Tem dias que eu amo
Tem dias que quero ver passar rápido
Tem dias que passam rápido
Tem dias que se arrastam com força bruta
Tem dias que estou feliz
Tem dias que a própria felicidade me irrita
Tem dias que o segredo das coisas me enche de curiosidade
Tem dias que o segredo das coisas me enche de ódio
Tem dias que uma simples borboleta me lembra coisas simples e lindas
Tem dias que as borboletas só me lembram feias e perigosas lagartas
Tem dias que os perfumes me enchem os pulmões
Tem dias que os maus cheiros me fazem ânsias de vômito
Tem dias que sim
Tem dias que não
Tem dias que sim e não